quarta-feira, 16 de julho de 2014

SUJEITO ACUSATIVO II

SUJEITO ACUSATIVO, o nome mesmo já diz, é quando o termo que é sujeito numa oração está no caso acusativo por ser objeto direto do verbo da oração antecedente, que é a principal. Então, sempre o sujeito acusativo o é de uma oração subordinada, dependente de uma outra, a principal. Vejamos:

CREIO QUE AÉCIO GANHE

Em latim não há como verter esta oração da maneira como está. Para fazê-lo, deve-se observar o seguinte:

o 'que' não entra na jogada, ou seja, não se traduz;

o sujeito da subordinada, Aécio, vai para o acusativo, isto por ser objeto direto do verbo principal, creio;

o verbo da subordinada vai para o modo infinitivo.


CREDO AECIUM CREARE


Aecium = sujeito da oração subordinada, está no acusativo = sujeito acusativo. E isto por ser objeto direto de 'credo', eu creio, a oração principal. 


CREIO QUE O SOL BRILHE = CREDO SOLEM FULGURARE

ACREDITO QUE JOÃO É BOM = CREDO JOANNEM ESSE BONUM

JULGO MARIA INTELIGENTE = PUTO MARIAM ESSE RATIONABILEM





Paulo Barbosa



terça-feira, 15 de julho de 2014

FORE UT, UM CIRCUNLÓQUIO SUBSTITUTO

FORE UT é um circunlóquio latino usado em lugar do infinitivo futuro levando o verbo da subordinada para o subjuntivo. Outro que pode ser usado da mesma maneira é FUTURUM ESSE UT.

Então,

Spero fore ut Caesar Maia senator creetur = espero que César Maia se eleja Senador (ou, espero que venha a acontecer que César Maia seja eleito Senador). Ou:

Spero futurum esse ut Aécio Neves praeses creetur = espero que Aécio Neves se eleja presidente.

Paulo Barbosa




TIPOS DE VERBOS

Alguns tipos de verbos latinos são nomeados de acordo com a indicação que expressam e introduzem as suas orações subordinadas com partículas específicas que, entretanto, não iremos tratar aqui.


VERBA IMPEDIENDI (Verbos de Impedimento) são todos os que indicam impedimento, tal como, impedire.

VERBA OBSTANDI (Verbos de Obstar), tal como obstare.

VERBA PROHIBENDI (Verbos de Proibir), tais como prohibere, recusare.

VERBA DUBITANDI (Verbos de Duvidar), tal como dubitare.

VERBA OMITENDI (Verbos de Omitir), tais como ommitere, deese, abesse.

VERBA SE CONTINENDI (Verbos de Conter-se), tal como continere.

Paulo Barbosa

sábado, 24 de maio de 2014

A LOCUÇÃO 'SUSQUE DEQUE'


'Susque deque' é uma expressão adverbial latina encontrada sempre na conversação dos homens sábios, assim como em vários poemas e cartas antigas.

Mas o que tal expressão significa?

Significa: 'de cima para baixo'. 

Unida a verbos, tais como 'ferre, habere, esse', tem o seguinte uso:

Susque deque ferre = fazer pouco caso de; não se importar com; permanecer calmo e não se agitar como o que acontece, ser indiferente a. - Este mesmo significado tem o 'suque deque habere, esse'.

De Maria susque deque = em relação a Maria pouco me importa.

De pila susque deque = não estou nem aí para bola.


Décimo Labério (106-43 a.C.), ilustrado escritor romano de mimos satíricos, nos deixou o seguinte verso em sua obra Compitais:

'Nunc tu lentus, nunc tu susque deque fers' = 'agora tu és lento, agora tu te movimentas indiferente'.


Marco Varrão (116-27 a.C.), pensador romano, em sua obra Sisena nos legou:

'Quod si non horum omnium similia essent principia ac postprincipia, susque deque esset' = porque se as semelhanças das horas todas não fossem princípios e pós-princípios, isso seria indiferente'.


Lucílio (170-84 a.C.), poeta e dramaturgo romano, em seu terceiro poema, diz:

'Verum haec ludus ibi susque omnia deque fuerunt' = 'mas essas coisas indiferentemente todas foram ali um jogo'.

Paulo Barbosa






COMPLEMENTO DATIVO DE CERTOS VERBOS



Em latim os verbos que significam 'ser a favor de' ou 'ser contra a' exigem o seu complemento, ou seja, o favorecido ou o desfavorecido, no caso dativo.

Exemplo disso é o complemento do verbo 'nocere', prejudicar, no início da Fábula de Fedro, 'Vulpis et Ciconia, A raposa e a cegonha":

NULLI NOCENDUM EST... NÃO SE DEVE PREJUDICAR A NINGUÉM

Onde o 'nulli' está no dativo por exigência do verbo regente.

Paulo Barbosa

PARTICULARIDADE LUSITÂNICA: O VERBO 'FAZ' IMPESSOAL


O verbo FAZER é sempre impessoal, isto é, não possui sujeito e por esse motivo mantém-se na terceira pessoa do singular, quando denota tempo.

Assim, nas seguintes sentenças:

"Faz trinta e um dias"

"Vinte e cinco dias faz que Maria faleceu"

"Faz meses que Luis foi embora"

"Dois anos faz que nos encontramos"

Paulo Barbosa

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O LATIM, LÍNGUA INDO-EUROPÉIA

O LATIM é uma língua itálica pertencente a família línguística do Indo-europeu, falada na Roma Antiga e depois nas Idades Média e Moderna, chegando mesmo à Contemporânea como língua científica até o século XIX. Sua história começa no século VIII a.C. chegando até a Idade Média como língua literária usada pelos eruditos. Costuma ser dividido nos seguintes períodos:

LATIM ARCAICO, desde sua formação no século VIII a.C. até a helenização de Roma, no século II a.C. Os autores mais salientes deste período foram: Ápio Cláudio, Lívio Andrônico, Ênio, Plauto e Terêncio.

LATIM CLÁSSICO, é o latim literário, padronizado, estilizado, criado pela elite cultural romana a partir do latim coloquial, o latim do dia a dia. Este período vai do século I a.C. ao século I d.C., período este chamado de Idade de Ouro das letras latinas cujos autores mais destacados foram: Cícero, Júlio César, Tito Lívio, Virgílio, Horácio, Catulo e Ovídio.

LATIM PÓS-CLÁSSICO, é a língua falada que vai se afastando progressivamente da língua padronizada, do latim clássico, conservado na escola e na literatura. É deste distanciamento crescente que nascerão, mais tarde, as línguas românicas - o português, o espanhol, o italiano, o francês, o romeno. Este latim é confundido com o latim imperial e decadente indo do século II ao III d.C., e os principais autores deste período foram: Fedro, Sêneca, Plínio o Velho, Petrônio, Pérsio, Quintiliano, Lucano, Marcial, Estácio, Tácito, Plínio o Jovem, Suetônio, Juvenal, Aulo Gélio e Apuleio.

LATIM TARDIO, é o usado pelos Padres da Igreja - teólogos e mestres cristãos que formularam a Doutrina Cristã do século II ao século VII. Estes começaram a escrever num latim mais polido, literário, abandonando, assim, o latim vulgar usado pelos primeiros cristãos. Os mais expressivos foram: Tertuliano, São Jerônimo e Santo Agostinho.

LATIM MEDIEVAL, é o usado no período da Idade Média, do século V ao século XV d.C. Este latim abrange o latim cartorial, parte do latim científico, ao latim eclesiástico e ao escolástico.

LATIM RENASCENTISTA, é a língua usada no Renascimento, de fins do século XV a meados do XVI. Os humanistas deste período voltaram-se para a Antiguidade Clássica e, por isso, a língua latina volta à tona na sua padronização clássica, estilizada. Os autores mais destacados foram: Petrarca, Erasmo de Roterdã, Luis Vives, Antônio de Nebrija e muitos outros, incluindo mesmo Martinho Lutero, promotor da Reforma Protestante.

LATIM CIENTÍFICO, é a língua que sobreviveu em escritores cientistas até o século XVIII, tais como René Descartes, Isaac Newton, Baruch Spinoza, Leibniz e Kant, que escreveram algumas de suas obras na língua do Lácio.

Paulo Barbosa